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ÁGAPE

POR DANIEL SANTOS

"E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira." Lucas 10:37

Considerando que o Amor de Deus fora externado no envio de sEu Filho a cruz, e o Amor de Cristo derramar sEu Espírito Santo sobre o homem; nos resta amá-lo aceitando a Salvação em Jesus, e caminhando segundo o sEu Espírito.

Platão e Aristóteles foram os principais pilares do pensamento ocidental que tiveram uma relativa aproximidade do Amor Eterno;

Platão nos deu o primeiro tratado filosófico do amor: (Eros). O amor em Platão é a falta, desejo, a necessidade, ao mesmo tempo, desejo de conquistar e de conservar o que não se possui, constatamos este aforismo no extenso diálogo entre Sócrates, Fedro, Pausânias, o médico Erixímaco, e Aristófanes, na casa de Agatão. Há quem diga que o diálogo são apenas junções de registros...

Já seu aluno Aristóteles, ao contrário prende-se na consideração positiva do amor; (Philia); amor, alegria pelo presente, por aquilo, e por aquele que se tem.

Com Cristo, a noção de amor sofre
uma transformação: (Ágape).
O Amor cristão (bíblico) consiste em se anular pelo outro, renunciar a si mesmo pelo bem do próximo.

"E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó..."
A parábola salienta que a personagem a ser amada é "um" homem-(artigo indefinido); neste caso Jesus deixa explícito que o amante não tem obrigação nenhuma em atender o amado; o Ágape impulsiona-o.

"E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
...E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo."
Quando o assunto é sacerdotes, serviçais inadimplentes, vale suscitar a pertinente frase nietzschiana: "Permanece aqui em aberto a possibilidade de que não é a humanidade que se encontra em degenerescência, mas apenas -aquela espécie parasita de homem-, a do (sacerdote), que com a moral, se elevou falsamente a árbitro do seu valor que, na moral cristã, acertou com o seu meio de conquistar o poder..."

O termo samaritano não soa bem aos ouvidos dos judeus puros (os samaritanos foram sementes da união entre judeus e assírios após a divisão das tribos- dez tribos foram para o norte com Jeroboão; e duas ficaram sob o comando de Roboão - Judá e Benjamin). O Amor Eterno rompe todas as barreiras que por ventura possam surgir. O aforismo tanto de Platão, quanto o de Aristóteles no que concerne ao amor; perdem o seu fulgor ao se depararem com o Ágape de Deus.

Talvez para o homem criatura (natural) haja alguma significância; conceito que traria repugnância a Nietzsche ao trazer à tona o "amor fati": "O cristão foi, até agora, o «ser moral», uma curiosidade sem igual – e, como «ser moral», mais absurdo, mais mentiroso, mais vaidoso, mais frívolo, mais prejudicial para si mesmo do que também o poderia sonhar para si mesmo o maior desprezador da humanidade." Segundo Nietzsche; amamos o ideal (Eternidade - porvir), odiando o real (mundo - agora).

Há hoje também almas amarguradas como deste pobre filósofo; que ainda não provaram o Amor de Deus como "experiência vivida."
A igreja na perspectiva platônica deseja, ama a vinda de Cristo: "Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." 2 Timóteo 4:8; e também não estamos longe do amor aristotélico quando amamos o Senhor Jesus ao recebê-lo: "Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!" 1 Coríntios 16:22
Ambos emergentes do Ágape!

O Amor de Deus alcança os rincões do nosso ser, com o perdão, cura e sustento para toda a vida. Os pensadores ficaram para trás; suas teses foram derrubadas, mas a Verdade  de Deus continua de pé.

REFERÊNCIAS:
>O Banquete pág/39 - Platão
Versão eletrônica do livro “Banquete”
Autor: Platão - Créditos da digitalização: Membros do grupo de discussão Acrópolis (Filosofia) Homepage do grupo: http://br.egroups.com/group/acropolis/
>Ética a Nicomânco pág/173 - Aristóteles
Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. D. Ross
>Ecce Homo - pág/108-109 Nietzsche
Tradutor: Artur Morão
Colecção: Textos Clássicos de Filosofia-Direcção da Colecção: José Rosa & Artur Morão-Design da Capa: António Rodrigues Tomé-Composição & Paginação: José M. S. Rosa-Universidade da Beira Interior Covilhã, 2008
>Dicionário de Filosofia Nicola Abbagnamo pág/39-40-Tradução da 1° edição brasileira coordenada e revista: Alfredo bosi-Revisão da tradução e tradução dos novos textos: Ivone Castilho Benedetti